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Efeito de antibiótico e probióticos sobre o
desempenho e rendimento de carcaça de frangos de corte
Effect
of antibiotic and probiotic on the
performance and carcass yield of broilers |
G.S.S.
CorrêaI; A.V.C. GomesII; A.B.
CorrêaIII; A.S. SallesIV;
E.S. MattosIV
IAluna
de Pós-graduação da UFRRJ-RJ - bolsista da FAPERJ
Rua UAB, nº 19 - UFRRJ 23851-970 - Seropédica, RJ
IIInstituto de Zootecnia da UFRRJ
IIIGraduando de Medicina Veterinária da
UFRRJ
IVAluno de pós-graduação da UFRRJ
RESUMO
Foram utilizados
3.000 pintos de corte em delineamento inteiramente
ao acaso com cinco repetições de 150 aves por
unidade experimental para avaliar o efeito de
promotores de crescimento sobre o consumo de ração,
ganho de peso e conversão alimentar de frangos de
corte. As dietas experimentais foram: 1- dieta
inicial (20,2% de proteína bruta e 2931kcal de
energia metabolizável) de 1 a 20 dias de idade (DI)
e dieta final (18,5% de proteína bruta e 2993kcal
de energia metabolizável) de 21 a 40 dias de idade
(DF); 2- DI mais 0,02% do probiótico Calsporin 10
para a fase inicial e DF mais 0,02% do probiótico
Calsporin 10 para a fase final; 3- DI mais 2,0% de
probiótico Estibion aves na fase inicial e DF mais
0,63% do probiótico Estibion aves para a fase
final; 4- DI mais 0,013% do antibiótico bacitracina
de zinco para a fase inicial e DF mais 0,013% do
antibiótico bacitracina de zinco para a fase final.
Na fase inicial os frangos alimentados com dietas
contendo probióticos consumiram menos ração e
tiveram melhor conversão alimentar. Os promotores
de crescimento não tiveram efeito sobre as variáveis
estudadas na fase final e no período total de criação.
Observou-se maior peso de coxa para machos
alimentados com dietas contendo o poliprobiótico.
Palavras-chave: frango
de corte, antibiótico, carcaça, desempenho, probióticos,
rendimento
ABSTRACT
A
completely randomized design with five replicates
and 150 chicks per experimental unity were used to
evaluate the effect of growth promoters on feed
intake, weight gain and feed:weight gain ratio of
broilers. The experimental diets were: 1- initial
diet (20.2% of crude protein and 2931kcal of
metabolizable energy) from 1 to 20 days of age (ID)
and final diet (18.5% of crude protein and 2993kcal
of metabolizable energy) from 21 to 40 days of age
(FD); 2- ID plus 0.02% of Calsporin10 probiotic and
FD plus 0.02% of Calsporin10 probiotic; 3- ID plus
2.0% of probiotic Estibion and FD plus 0.63% of
probiotic Estibion; 4- ID plus 0.013% of Zinc
bacitracin and FD plus 0.013% of Zinc bacitracin.
During the initial period broilers fed on probiotic
diets showed lower feed intake and better
feed:weight gain ratio. However growth promoters
have no effect on the studied traits in the final
and total periods. Higher thigh yields were observed
for male fed on poliprobiotic diets.
Keywords:
broiler, antibiotic, performance, probiotic,
carcass, yield
INTRODUÇÃO
A avicultura
comercial tem como objetivo obter alta produtividade
a baixo custo e oferecer ao consumidor um produto de
qualidade. Entretanto, para obtenção da alta
produtividade alguns aditivos alimentares têm sido
usados como promotores de crescimento, entre eles,
os antibióticos. A utilização rotineira e
indiscriminada dos antibióticos tem levado ao
aparecimento de populações bacterianas resistentes
(Fuller, 1989), levando ao desequilíbrio na
simbiose entre microrganismos apatogênicos e o
animal.
A pesquisa tem
procurado desenvolver produtos que possam ser
utilizados como substitutivos aos antibióticos
promotores de crescimento. Entre as alternativas
destacam-se os probióticos, os quais são produtos
constituídos por microrganismos vivos que afetam
beneficamente o animal hospedeiro, promovendo o
equilíbrio da microbiota intestinal (Fuller, 1989),
de forma que os antibióticos possam ser utilizados
quando realmente necessários.
A utilização de
probiótico como promotor de crescimento pode
proporcionar maior ganho de peso, melhor conversão
alimentar, maior rendimento de carcaça (Bertechini,
Hossain, 1993; Wolke et al., 1996; Jin et al.,
1998), porém nem sempre são observados efeitos benéficos
com a sua utilização (Cavalcanti et al., 1996;
Henrique et al., 1998). Fatores como, idade do
animal, tipo de probiótico, viabilidade dos
microrganismos no momento de serem agregados às rações,
condições de armazenamento, condições de manejo
(mínimo estresse) e sanidade podem afetar a eficácia
dos probióticos.
Maruta (1993)
observou aumento na quantidade de carne na carcaça,
aumento da musculatura peitoral, diminuição da
gordura abdominal, e diminuição do odor característico
da carne de frango ao utilizar probiótico, mesmo
contendo apenas uma cepa bacteriana. O autor
observou que as fêmeas não apresentaram resultados
favoráveis quanto ao uso ou não de probióticos na
dieta. Para os machos, mesmo com a aplicação do
produto apenas sete dias antes do abate, seu uso foi
suficiente para permitir aumento na quantidade de
carne e diminuição de gordura abdominal. Citou que
com a administração de probiótico no período do
crescimento, ao abate observaram-se resultados favoráveis
para machos e fêmeas quanto à qualidade da carcaça.
Os resultados mostraram que a taxa de abate também
foi superior quando se adicionaram probióticos na
ração. Loddi et al. (2000a) encontraram maior
rendimento de carcaça para fêmeas (69,2%) em relação
aos machos (68,6%) quando associaram probióticos
com antibióticos.
O objetivo deste
experimento foi avaliar os efeitos da inclusão de
dois probióticos e um antibiótico na alimentação
de frangos de corte sobre características de
desempenho e de carcaça.
MATERIAL E
MÉTODOS
O experimento foi
conduzido no Setor de Avicultura do Instituto de
Zootecnia da Universidade Federal Rural do Rio de
Janeiro (UFRRJ), em galpão convencional, dividido
em 20 boxes.
Foram utilizados
3000 pintos de corte de um dia de idade, da linhagem
comercial Hy Yield, em delineamento experimental
inteiramente ao acaso com quatro tratamentos e cinco
repetições, e 150 aves por unidade experimental
(metade de cada sexo). Os promotores de crescimento
adicionados às rações foram: Calsporin 10 (Fatec
S. A. - Av. Fatec, 1300 - Arujá - SP), Estibion
aves (L.Amorim - Av. Major Hilário Tavares
Pinheiro, 3277 - Jaboticabal - SP) e bacitracina de
zinco (Fatec S. A. - Av. Fatec, 1300 - Arujá - SP).
O Calsporin 10 é
um probiótico que apresenta como ingrediente ativo
esporos de Bacillus subtilis, com concentração
de 1 x 1012 UFC/kg de produto. O Estibion
aves é um poliprobiótico constituído de cepas de Lactobasillus
acidophilus, Lactobacillus casei, Estreptococcus
salivarium, Estreptococcus faecium, Bacillus
subtilis, Bacillus toyoi, Sacharomices cerevisae
em 2,5 x 1011 UFC/kg de produto. A
bacitracina de zinco é um antibiótico polipeptídeo,
produzido pelo Bacillus lincheformis, ativo
contra bactérias gram-negativas, com concentração
de 150g/kg de produto.
Para atender as
exigências nutricionais das aves, o período de
criação foi dividido em duas fases: inicial (1 a
20 dias) e final (21 a 40 dias). Água e ração
foram fornecidas à vontade.
As rações foram
formuladas para conter 20,2% de proteína bruta e
2.931 kcal de energia metabolizável (EM) por
quilograma de ração na fase inicial, e 18,5% de
proteína bruta e 2993kcal de EM por quilograma de
ração, na fase final. As rações foram calculadas
para conter os níveis de nutrientes recomendados
por Rostagno et al. (1994). A composição das rações
básicas encontram-se nas
Tab.
1 e
2.
Os probióticos e o antibiótico foram incluídos
junto às rações, segundo as normas dos
fabricantes.
Os tratamentos
constaram de: grupo testemunha - alimentado com
dieta inicial (DI) até 20 dias de idade e dieta
final (DF) até 40 dias de idade; grupo Calsporin 10
- alimentado com DI + 0,02% do probiótico Calsporin
10 na fase inicial e DF + 0,02% do probiótico na
fase final; grupo Estibion aves - alimentado com DI
+ 2,0% do probiótico Estibion aves na fase inicial
e DF + 0,63% do probiótico na fase final; grupo
bacitracina de zinco - alimentado com DI + 0,013% do
antibiótico bacitracina de zinco na fase inicial e
DF + 0,013% do antibiótico na fase final.
As características
avaliadas foram consumo de ração, ganho de peso e
conversão alimentar nas fases inicial e final e no
período total. Para cálculo do ganho de peso as
aves foram pesadas no início, aos 21 dias e aos 40
dias do período experimental. O consumo de ração
foi obtido com base no consumo médio por unidade
experimental dentro de cada fase. Os dados de
conversão alimentar (kg ração/kgPV) foram obtidos
com base no ganho de peso e no consumo médio de ração
por fase.
Ao término do
experimento foram retiradas aleatoriamente 10 aves
(cinco machos e cinco fêmeas) por repetição (50
aves por tratamento), as quais foram identificadas
para análise de rendimento. Elas foram submetidas a
jejum de seis horas antes do abate. As carcaças
foram pesadas sem os pés e a cabeça. O rendimento
de carcaça e das partes foi calculado em relação
ao peso vivo imediatamente antes do abate (%PC=peso
de carcaça x100/peso vivo) e (%corte= peso corte x
100/peso vivo). Foram avaliados peso vivo, peso
abatido, percentagem do peso abatido, peso do peito,
percentagem do peito, peso da coxa, percentagem da
coxa, gordura abdominal e percentagem da gordura
abdominal. Os dados foram avaliados segundo
metodologia descrita por Smith (1993).
As análises estatísticas
foram feitas utilizando-se o programa SAEG
desenvolvido por Euclydes (1982) na Universidade
Federal de Viçosa - MG. Fez-se análise de variância
e para as variáveis com efeito significativo do
tratamento usou-se o teste Tukey para comparação
de médias (P<0,05).
RESULTADOS
E DISCUSSÃO
A
Tab.
3 mostra os resultados de desempenho no período
inicial de 1 a 20 dias. O consumo de ração foi
afetado (P<0,05) pelo poliprobiótico presente na
dieta. As aves submetidas ao tratamento com Estibion
aves apresentaram menor consumo de ração do que as
submetidas aos demais tratamentos. Este resultado
esta de acordo com Jin et al. (1996), Loddi et al.
(2000a) e Moreira et al. (2002) que obtiveram melhor
consumo de ração em aves que receberam dietas com
probiótico na fase inicial. Trabalhos realizados
por Henrique et al. (1997), Zuanon et al. (1998) e
Loddi et al. (2000b) mostraram não haver diferenças
no consumo de ração para frangos alimentados com
ração contendo probióticos e antibióticos na
fase inicial. Não foi observada diferença
(P>0,05) entre tratamentos quanto ao ganho de
peso dos frangos nesta fase. Resultados semelhantes
foram encontrados por Owings et al. (1990),
Jin et al. (1997), Henrique et al. (1998).
Contudo, Watkins (1983), Henrique et al. (1997),
Henrique et al. (1998), Loddi et al. (2000a)
e Moreira et al. (2002) observaram diferença
significativa no ganho de peso quando foram
comparadas aves suplementadas e não suplementadas
com probióticos.
Os frangos
alimentados com dietas com Estibion aves tiveram
melhor conversão alimentar do que os alimentados
com as dietas testemunha ou que continha bacitracina
de zinco. Resultados semelhantes foram encontrados
por Jin et al.(1997), Lima et al. (1998) e Moreira
et al. (2002), os quais obtiveram melhores
resultados de conversão alimentar em aves que
receberam probiótico comparadas com as que
receberam antibiótico.
Os resultados de
desempenho para a fase final estão na
Tab.
4 e para o período total de criação na
Tab.
5. Eles mostram que as variáveis consumo de ração,
ganho de peso e conversão alimentar não foram
afetados (P>0,05) pelo uso de antibiótico ou
probióticos na ração. Estes resultados estão de
acordo com os obtidos por Souza et al. (1993),
Cavalcanti et al. (1996), Henrique et al. (1998),
Zuanon et al. (1998), Araújo et al. (2000),
Loddi et al. (2000b) e Moreira et al. (2002). Os
resultados indicam a possibilidade de substituição
do antibiótico bacitracina de zinco como promotor
de crescimento por probiótico, mantendo os mesmos
padrões de desempenho das aves, evitando os riscos
de presença de resíduos de antibióticos na carcaça.


Quanto às características
de carcaça (Tab.
6), não foram observadas diferenças entre
tratamentos (P>0,05) quanto ao peso vivo e pesos
e rendimentos da carcaça, do peito e da gordura
abdominal. Estes resultados foram discordantes aos
encontrados por Owings et al. (1990).
Henrique et al. (1998) e Santos et al. (2002)
observaram melhora nas características de carcaça
com o uso de probióticos na ração. Para características
de carcaças houve interação significativa entre
tratamento e sexo para peso e rendimento de coxa (Tab.
7), de tal modo que os machos alimentados com
dietas contendo Estibion tiveram maior peso e
rendimento de coxa em relação aos demais
tratamentos, enquanto que para fêmeas não houve
diferença (P>0,05) entre os tratamentos para
essas variáveis. Não houve efeito de tratamento e
nem da interação sexo e tratamento para as demais
características de carcaças estudadas (Tab.
6). Resultados semelhantes foram encontrados por
Moreira et al. (2002), isto é, o sexo influenciou
as variáveis peso vivo e pesos da coxa e sobrecoxa.
Segundo os autores, os machos mostraram-se
superiores às fêmeas quanto a essas características
mas apresentaram valores inferiores para a variável
gordura abdominal.


CONCLUSÕES
O uso do poliprobiótico
proporcionou melhora na conversão alimentar na fase
inicial. O uso de probióticos como promotor de
crescimento, independente da fase de criação, pode
substituir o de antibiótico nas rações de frangos
de corte.
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Projeto financiado
pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do
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Recebido para publicação em 26 de junho de 2002
Recebido para publicação, após modificações, em
4 de junho de 2003
E-mail:
gegesalles@bol.com.br
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